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14.2.05
Bom dia, queridos amigos e amigas...
Gostaria, primeiramente, de agradecer aos que tem nos visitado e deixado comentários muito legais... saibam que fico muito feliz de saber que temos feito novos amigos através do nosso blog... o q demonstra que não foi em vão que iniciamos esta forma de manifestarmos nossos pensamentos, expressões e sentimentos através da Web...
Um bjo p/ todos vcs q tem comentado nossos posts. Ficamos mesmo muito contentes...
Aqui abaixo, segue um textinho do Rubem Alves muito legal q recebi do meu amigo Eric, e que fala sobre algo muito presente na minha vida ultimamente. A arte de relacionar-se emocionalmente alguém. Pq é tão difícil conviver com alguém? Respeitar o espaco do outro, aceitar suas opiniões, manias e ideologias diferentes... Tudo é muito complexo... Amar é um grande mistério...
bjs.
Vany

A Arte do Diálogo (Rubem Alves)
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo Tenis e hã os casamentos do tipo Frescobol.
Os casamentos do tipo tenis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam mal. Os casamentos do tipo Frescobol são uma fonte de alegria e tem a chance de ter vida longa. Explico-me. Para começar, uma afirmacão de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: "Voce cre que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?"
Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relacões que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar. Sherezade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separacão, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos Sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, Sherezade o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes.
Fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo".
Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, eu te amo não quer dizer mais nada". É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatomica, mas em sua nudez poética.
Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".
Tenis é um jogo feroz. O objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: O outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tenis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata nocão do ponto fraco do seu adversário, é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada.
Palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tenis se encontra, portanto, no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo.
Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
Frescobol se parece muito com o tenis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforco do mundo para devolve-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra.
O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importancia comeca-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos!
Vany
Postado com carinho por uma

q;)
por Vany® Qualtieri - 9:44 AM
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